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América Latina: água e conflitos

Indicadores ajudam a compreender a situação de uma unidade geográfica. Na América Latina, que tem elementos sociais, geográficos, históricos, po­líticos, econômicos e culturais em sua identidade, como a importante pre­sença de povos indígenas no passado e no presente, o aparecimento para o mundo ocidental como colonia, a independencia política associada à ex­ploração de recursos naturais contemporânea e uma elevada desigualdade social, para lembrar alguns, os indicadores apontam que em alguns países da América do Sul a água é abundante. Porém, os dados sobre acesso ao sa­neamento básico constroem uma outra identidade latinoamericana. Com raras exceções, temos países nos quais a população ainda carece de acesso à água de qualidade e, principalmente, não tem seu esgoto coletado e tratado em níveis presentes em outras partes do mundo.

As duas situações justificam os estudos que são apresentados nesse livro. Quando a oferta de água é elevada, encontram-se conflitos pelo seu uso. Já o acesso à água de qualidade é outra fonte de tensões sociais.

Os artigos reunidos nessa obra contribuem para elucidar a luta pelo acesso à água em diversos países latinoamericanos. Ela articula textos de pesqui­sadores da rede Waterlat, que reuniram-se em evento da rede em Buenos Aires, em 2012, no Grupo de Águas Transfronteiriças, e outros que foram discutidos no 52 Congresso Internacional de Americanistas, realizado em Viena, no mesmo ano, no simpósio Conflitos pela água na América Latina.

Esses capítulos convergem ao mostrar que, por razões diversas, encontram­-se conflitos pela água, na América Latina, o que aponta uma nova identi­dade para os movimentos sociais na região: a busca do Direito Humano à Água, que pode ser traduzido como o acesso à água de qualidade.

Os autores trabalham diferentes realidades e escalas geográficas. Por isso os leitores encontram análises diversificadas que tratam de conflitos trans­fronteiriços, de conflitos pelo uso da água para gerar energia, de conflitos causados pela qualidade da água oferecida à população, da governança da água, do Direito Humano à Água, entre outros assuntos.

Espera-se que essas reflexões sejam somadas aos argumentos dos movi­mentos sociais pelo acesso à água, mas, também, que elas possam ser úteis para a elaboração e/ou revisão de políticas públicas que definem o uso da água na América Latina.

Boa leitura.

Wagner Costa Ribeiro (professor titular do departamento de Geografia e do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da USP)

 


Link da editora: http://www.annablume.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=214:america-latina&catid=24:comentario