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ANTICORPOS DE GAIA NO ENCONTRO DAS ÁGUAS: trajetórias de aprendizagem de jovens nas trilhas do ambientalismo

Esta Tese estuda os processos de engajamento ambiental de jovens com ênfase nas narrativas de vida de membros de grupos ambientalistas juvenis e na história do Coletivo Jovem de Meio Ambiente de São Paulo (CJ-SP), Antivorpos de Gaia. A pesquisa se apóia em entrevistas gravadas em vídeo com jovens no Brasil e no Canadá, trabalhos de observação de campo, interação virtual, estudo de documentos e pesquisa bibliográfica. As trajetórias são analisadas e categorias que agregam diferentes influências das experiências de vida no engajamento, como: o contato com a natureza, as relações com a escola, família e trabalho e a participação nos grupos ambientalistas juvenis. A constituição e a evolução do CJ-SP são apresentadas como eixos que articulam as trajetórias dos jovens paulistas entrevistados. O entrelaçamento de processos de aprendizagem, solicialização e ação prática é observado ao longo da formação de identidade ecológica dos indivíduos e dos grupos. As condicionantes do engajamento ambiental e o entrelaçamento destes processos são discutidos e compreendidos dentro de uma perspectiva sócio-histórica, que valoriza a ação positiva de estruturas e espaços educadores produzidos pela sociedade e orientados para a cultura da sustentabilidade. O olhar analítico para a influência destas estruturas e espaços educadores na trajetória dos indivíduos e grupos dialoga com teorias pedagógicas e sociológicas, que valorizam as interações simbólicas presentes nas experiências do cotidiano, que promovem a formação do sujeito dentro de suas relações com o outro, com o meio e consigo mesmo. As idéias de Alain Touraine, Alberto Melucci, Etienne Wenger, Herbert Blumer, Humberto Maturana, John Dewey, Karl Mannheim, Pascal Galvani, Paulo Freire, Zygmunt Bauman, dentre outros, contribuíram para discutir os processos de “identização ecológica” que se dão, de forma singular, na vida de cada um dos jovens ambientalistas aqui estudados. Verificou-se que os grupos ambientalistas juvenis estabelecem comunidades de prática, que, no diálogo com os novos movimentos sociais, potencializam a aprendizagem, a formação de redes sociais e processos de intervenção na realidade orientados pela responsabilidade socioambiental. A Tese sugere o aumento do incentivo às políticas públicas que colaborem para fortalecer estas comunidades de prática e o intercâmbio entre elas (no âmbito local e global).

Paulo Marco de Campos Gonçalves – 2010

Faculdade de Educação – USP

Tese disponível em:

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-20042010-144757/pt-br.php