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As megacidades

Atualmente existem 21 megacidades no mundo. Até 2040 possivelmente esse número cresça para 60. Alguns autores vêm na redução da população rural e na tendência internacional do crescimento dos centros urbanos uma solução para a superpopulação. Os centros urbanos “verdes” diminuiriam a pressão da ocupação humana nos meios naturais. Os autores argumentam corretamente que os menores índices de crescimento populacional ocorrem em áreas urbanas. No campo, além do número elevado de filhos ainda ser visto em alguns países como uma vantagem para o aumento da produção de alimentos da família, distâncias grandes de postos de saúde e centro urbanos também dificultam o acesso aos meios contraceptivos.

De acordo com a ONU, as experiências atuais e do passado mostram que o crescimento rápido da urbanização pode ser visto como positivo, mas, também, como um fator negativo. A urbanização tem sido associada a melhorias no desenvolvimento humano, melhorias nos padrões de vida e no aumento de renda. No entanto, esses benefícios não vêm automaticamente. São necessárias políticas públicas para frear o crescimento populacional e garantir uma distribuição de renda mais equitativa. Caso contrário podem surgir bolsões de miséria e ilhas de grande prosperidade convivendo lado a lado, diz a ONU.

Em 2010, cerca de 50% da população mundial viviam em cidades e de acordo com o Banco Mundial, a tendência do crescimento das áreas urbanas deve continuar até 2050 restando apenas 30% da população mundial morando em áreas rurais. Para muitos ambientalistas o fenômeno da urbanização é positivo e é visto como uma solução para a preservação da biodiversidade. Ao optar por viver em grandes cidades, o homem permitirá que a natureza se recomponha nas áreas rurais. A ideia parece boa, mas necessita de enormes investimentos financeiros em urbanização. Como será possível transformar, por exemplo, uma cidade como a de São Paulo em uma metrópole “verde” em um curto espaço de tempo. As dificuldades vão da má vontade política dos governantes à falta de recursos financeiros para mudar o cenário de caos da cidade.

Nessa lista, podemos incluir diversas cidades brasileiras, inclusive Brasília que foi planejada para uma população máxima de 500 mil habitantes e, hoje, já ultrapassa a marca de dois milhões. Dados do estudo de 2010, Projeto BsB 100, da Universidade de Brasília e da PUC do Rio de Janeiro alerta para o risco de aumento da desigualdade social, desemprego e superpopulação no Distrito Federal, escassez de água e o perigo da formação de um grande conglomerado que irá unir Brasília à Goiânia em 2050. Outro estudo diz que o Cerrado pode sumir até 2060. O crescimento populacional e expansão desordenada da área urbana levaram o homem a ocupar áreas de cerrado nativo. Paralelamente ao aumento da área urbana houve, também, um aumento das áreas destinadas à agricultura. Os prognósticos parecem muito pessimistas, mas ao observar as imagens aéreas do Distrito Federal desde 1960, vê-se que não é impossível que isso venha a ocorrer.

Serão necessários grandes investimentos em infraestrutura nas novas megacidades

A aglomeração humana em centros urbanos também é um grande desafio para as políticas públicas de combate aos efeitos do aquecimento global. A maioria das novas megacidades do futuro estará localizada em países em desenvolvimento na Ásia e na África e vão ser necessários enormes investimentos em infraestrutura para torná-las habitáveis. A construção de estradas, escolas, habitações, hospitais, sistemas de transporte público e de redes de saneamento básico aumentará a demanda por energia e levará a um aumento de emissões dos gases de efeito estufa. O cimento, por exemplo, ainda é crucial na construção civil. Os produtores de cimento vêm investindo milhões em inovação tecnológica, mas as tecnologias mais verdes para o setor representam apenas uma redução de 20% das emissões de gás carbônico. A produção de cimento apresenta um problema básico. A reação química que ela provoca libera grandes quantidades de CO2. 60% das emissões causadas pela a fabricação do cimento vêm do processo químico. O restante é produzido pelos combustíveis usados na produção de energia e podem ser mitigadas com tecnologias mais verdes. De acordo com matéria publicada no Jornal New Times, “a indústria do cimento está no centro do debate sobre a mudança climática. Nos países emergentes, como o Brasil e a China, o cimento é literalmente o material de construção do progresso” (http://www.nytimes.com/2007/10/26/business/worldbusiness/26cement.html)

Texto disponível em no blog População Sustentável, um grupo de discussão sobre a questão demográfica e o meio ambiente:

http://populacaosustentavel.wordpress.com/2011/07/28/as-megacidades/